Essa discussão saiu de outra, sobre riffs, que pode ser vista em
outra parte deste site.
Além disso tem um texto do Osmar sobre
improvisação sobre acordes, que vale a pena ser lido.
----- Original Message -----
From: Kenji [brfree]
To: gaita-l@grupos.com.br
Sent: Monday, January 21, 2002 12:37 AM
Subject: [gaita-l] Re: Re: Re: Re:Aprendendo improviso p/alexm44
Eu acho que tem dois tipos de gaitistas, em termos de improviso. Tem o cara
que trabalha com riffs e o cara que trabalha com a música. O primeiro
toca blues, que normalmente é uma música de estrutura previsível
e repetitiva e que encaixa ali no meio um monte de frases (ou riffs: o riff
poderia ser uma "frase típica") que são sequências
de notas dentro de um tom e de um tempo. Esse cara precisa estudar técnica
para tirar timbres, vibratos, bends. O segundo estuda música mesmo,
vai analisar a partitura, vai bolar o improviso na hora baseado nas regras
de harmonia da música ou, o mais comum, acho, vai bolar o improviso
dele cuidadosamente em casa, ensaiar ele, prá só depois fazer
o solo dele direitinho na hora H e todo mundo apreciar o trabalho do cara.
Ambos são respeitáveis no que fazem, ambos estão improvisando. Só que o primeiro é o Mark Hummel e o segundo é o Toots Thielemans. Não acho que nem um nem o outro seja melhor (bem, pessoalmente aqui eu acho o Toots melhor), só acho que cada um tem que ser apreciado dentro do que tenta fazer (eu não vou avaliar o Hummel como jazzista). Estudar teoria musical e sacar de harmonia de jazz é tão árduo quanto treinar diariamente por anos para dominar técnicas, timbres, vibratos e bends.
Eu acho riffs um caminho válido, mas o gaitista tem que ter noção de que aquilo não pode limitar a sua expressividade. Se por um lado um riff original é a marca registrada de um gaitista, ela também acorrenta esse gaitista. Tirar riffs dá fluência ao gaitista, no sentido em que ele pode fazer solos improvisados com vários riffs intercalados, variados, sem preocupar com a harmonia da música, se aquela nota está ou não dentro do tom. Mas dificilmente vc, só com riffs, vai fazer solos **brilhantes** como o Toots ou o Levy fazem, que evidentemente transcendem os riffs.
No final das contas, o que eu queria dizer é que "tudo serve para algo, mas nada serve para tudo", como dizia a Mafalda do Quino ;)
[]
K.
----- Original Message -----
From: "AlexM44"
To: <gaita-l@grupos.com.br>
Sent: Monday, January 21, 2002 3:10 AM
Subject: [gaita-l] Re: Re: Improviso p/Kenji
Kenji,
Você está confundindo improvisador com compositor. O improvisador
cria sua música na hora e se pedires para ele tocar novamente nunca
vai sair igual. O compositor cria a peça de antemão, e depois
executa. Se pedires para tocar novamente ele irá tocar igual.
A maioria dos músicos é compositor e improvisador. Em uma carta
a filha de Bach dizia que as composições de seu pai eram muito
bonitas mas nada se comparava a seus improvisos no orgão. Infelizmente
estes nunca vamos ouvir pois não foram escritos.
Improvisar em jazz é difícil, exige muito estudo, mas muita
gente o faz. Hoje com o lançamento dos CDs, muitos discos tiveram incluídos
"alternate takes" , onde você pode ver que o mesmo músico
fez solos diferentes em cada take pois estava improvisando. Tenho um CD do
Lee Morgam com 7 versões diferentes de Over the Rainbow, todas com
o tema igual e, o improviso de todos os músicos completamente diferente
.
Tanto é difícil improvisar em Jazz que o próprio Miles
Davis começou a usar harmonia modal para facilitar o improviso para
que as linhas melódicas ficassem mais fluidas.
Improvisar não significa alinhar um monte de riffs. Se vires os grandes
do Jazz verá que a estrutura de seus solos não representa um
monte de riffs, mas uma fluidez maior da linguagem musical, os mesmos não
foram
compostos, foram criados na hora. Veja o Parker , Trane, Monk, ouça
o Miles em My Funny Vallentine. Veja o Toots tocando no Oscar Peterson Big
Six ou com o Django. Quando o improviso acontece é pura mágica.
Um Grande Abraço
Alex Bubel
----- Original Message -----
From: Kenji [brfree]
To: gaita-l@grupos.com.br
Sent: Monday, January 21, 2002 4:47 AM
Subject: [gaita-l] Re: Re: Re: Improviso p/Kenji
O meu ponto é que há quem improvise com base em seu conhecimento
em riffs e há quem improvise com base em seu conhecimento de harmonia.
Enão são, evidentemente, os dois únicos modos de se improvisar.
Mesmo o exemplo do Miles que vc citou cai exatamente no 2o caso, onde ele
usa harmonia modal para facilitar a fluidez dos improvisos.
Improvisar é criar uma música, mas dentro das regras harmônicas
do tema onde vc está inserido. Seu improviso não pode sair do
que o resto da sua banda está tocando, senão vira uma coisa
terrível de se escutar.
Podemos concordar que improviso não são riffs por definição de improviso, mas muitos gaitistas fazem de uma sequência de riffs pré-estudados, seu improviso. Creio que é este o ponto que eu quis deixar claro no email.
Concordo que o improviso é pura mágica, especialmente quando associados aos nomes (do jazz, por sinal) que vc citou. O que eu digo é que no caso dos gaitistas (que raramente se enquadram no jazz), muitas vezes concentra-se no instrumento com uma finalidade percussiva (efeito, riffs) ao invés de uma finalidade solística, melódica.
Onde eu quero chegar é que para uma pessoa improvisar sem riffs, só com um conhecimento profundo de harmonia musical. O problema se for vice-e-versa.
[]
K.
----- Original Message -----
From: "AlexM44"
To: <gaita-l@grupos.com.br>
Sent: Monday, January 21, 2002 12:17 PM
Subject: [gaita-l] Re: Re: Re: Re: Improviso p/Kenji
Kenji,
Deixe-me discordar mais um pouco de ti. O que eu estou falando é que
é muito mais fácil improvisar no Blues pois o conhecimento de
harmonia para tal é mínimo. O que faz com que os Riffs sejam
mais descartáveis. Vou dar-lhe um exemplo:
A escala de Blues fica bem sobre três acordes com Tônicas diferentes
e estes podem ser Maiores, menores ou dominantes. Em uma progressão
I-IV-V em C7, você pode tocar em toda a música a Escala C Blues.
Você pode tocar C7 no momento que estás tocando C7( a maioria
da música)
Podes tocar F7 no acorde F7.
Podes tocar G7 no acorde G7.
Agora compare estas notas com uma gaita em F onde tocamos Blues, verá
que é muito difícil errar uma nota. Por isto o improviso no
Blues é mais fluido e não justifica o uso de Riffs ou Licks!
Como dizem os Jazzistas "Não existem notas erradas, existem tensões
mal resolvidas". O Miles Davis contava que quando estava discutindo harmonia
com o Monk e o Parker, ao contrário do Monk o Parker nunca dava um
exemplo do que falava, mas dizia que poderia ser usada qualquer nota sobre
qualquer escala e sem entrar em cromatismos. Chegaram à conclusão
que uma determinada nota nunca poderia ser usada sobre um tal acorde, e o
Parker apenas falava que podia, mas não mostrava. Uma Bela noite quando
estavam ouvindo um músico em um bar o Parker fala: Olha como ele usou
a nota e ficou bem!
A harmonia de Blues é um mistério pois não é algo
que encaixa muito bem na Harmonia ocidental. Tradicionalmente a tensão
era gerada por avanço no tempo ou notas mais rápidas. O Blues
cria tensão através de uma nota dissonante que precisa ser resolvida,
a quinta bemol! Isto só surgiu na Harmonia ocidental por influência
do Blues. É uma fusão entre harmonia ocidental e harmonia africana.
Um Grande Abraço
Alex Bubel
E um comentário típico do Ulysses:
----- Original Message -----
From: Cazallas
To: gaita-l@grupos.com.br
Sent: Monday, January 21, 2002 5:48 AM
Subject: [gaita-l] Re: Re: Re: Improviso p/Kenji
Desculpem-me pela intromissão.
Improviso é sempre criado na hora que se toca.
Improviso estudado é bordadura musical.
Riff é espécie de improviso, já está decorado
e é aplicado no momento que o executante imagina que dará certo
com a harmonia.
Para se falar em harmonia modal, é necessário que saibamos o
que é MODO.
O que é modo?
Fica a pergunta poque preciso saber quem sabe!
[[]]s p/ todos os arquitetos do vento que aqui se encontram.
Ulysses Cazallas
----- Original Message -----
From: Kenji [brfree]
To: gaita-l@grupos.com.br
Sent: Monday, January 21, 2002 2:16 PM
Subject: [gaita-l] Re: Re: Re: Re: Re: Improviso p/Kenji
Bem, um por um...
Alex, concordo que pela harmonia de blues ser mais fácil, precisa-se menos de riffs. No entanto, o que vemos é uma larga utilização de riffs nos improvisos dos gaitistas blueseiros, especialmente os iniciantes. Então não estamos falando a mesma coisa? Que o riff é útil mas não pode escravizar a criatividade?
Eberienos [ver texto mais abaixo], concordo plenamente com a pedagogia de se usar riffs para quem está começando e creio que o que vc disse do cara estudar visa justamente abrir a mente do gaitista para a necessidade de conhecimento que o gaitista deve obter para se tornar um improvisador cada vez melhor. Eu realmente acho que todo gaitista passa por duas fases, em termos de improviso: uma primeira em que ele ouve e tenta tirar tudo o que pode, criando desenvoltura para executar fraseados e dominar a técnica. Até então, ele é um bom intérprete. Numa segunda, ele começa a criar, e isso inclui tentar fazer algo original, diferente de tudo o que ele estudou até então, em que riffs são apenas influências, homenagens, referências, e nessa hora é que realmente o bicho pega.
<snip>
Eisinger, concordo que o riff é marca registrada e não estraga improviso de ninguém, porque o improviso é sobretudo um momento de exibir expressão, e se o riff traduzir isso melhor em música, tanto melhor. [Ver texto mais abaixo.]
Ulysses, concordo 100% que improviso estudado é bordadura musical. Se um cara improvisa somente com base em riffs, que são frases bem-estudadas por definição, não é improviso. [Ver texto acima.]
Acho que muita gente colocou certeiramente a importância do feeling na questão do improviso. O meu ponto não é o feeling, mas a importância da técnica para a expressividade do músico. Eu acho que o Eberienos colocou muito bem que muita gente esconde a falta de técnica como uma questão de estilo. Mais ainda, a Alanis por exemplo poderia se defender e dizer que o que importa quando ela toca é o feeling dela. Sóque por mais belo e mágico que seja o feeling dela naquele momento, a falta de técnica na gaita dói, ao contrário da técnica + feeling que a voz dela pode obter (afinal, a voz tb é instrumento) que é onde ela constrói realmente o trabalho dela enquanto música.
Josh, acho o feeling importante pacas, mas eu não acho que riff é feeling. Tb acho que as pessoas mais velhas devem ser muito respeitadas por causa de sua vivência que é um bem maior na vida, mas eu não respeito o Ulysses como gaitista pq ele tem X anos, mas pq com estes X anos, ele chegou num nível tanto de gaita como [instrumento] musical que pouca gente chegaria com 3 x X anos. Mas a idade por si só não atesta a qualidade de um músico, embora na maior parte das vezes, os grandes músicos estejam em evidência quando mais velhos. (ou não. a mídia costuma ser bem injusta).
O meu ponto inicial era que existiam 2 tipos de improvisadores, os baseados em riffs e os baseados em teoria simplesmente. Isso não quer dizer que um seja melhor que o outro. O que eu quis colocar é que riffs, assim como tablaturas (lenha na fogueira), ajudam muito, mas não bastam. E eu só digo isso pq a impressão que eu tenho hoje é que todo mundo tá estudando gaita como percussão, vibrato, bend, timbre, etc, e deixando de lado o outro lado, o melódico, que é aprender a como aplicar isso. Neste ponto, talvez a melhor coisa que tenha acontecido com a gaita tenha sido a utilização de cromatismos na diatônica através de bends e overbends e overblows e overoverbendsblows++, que acabam aumentando bastante o arsenal do gaitista na hora do improviso.
[]
K.
----- Original Message -----
From: "Eisinger"
To: <gaita-l@grupos.com.br>
Sent: Monday, January 21, 2002 9:55 AM
Subject: [gaita-l] Improvisando
Ola Galera
Improvisar como eu vejo eh usar seu conhecimento para criar algo em pouco
tempo ou dar solucao rapida para uma determinada coisa sem os recursos ou
preparo previo... Improvisar eh uma questao de sentir primeiramente, em segundo
eh o uso do seu conhecimento... Usar riffs no improviso eh uma coisa, que
a meu ver, e quase necessaria quando se esta comecando e nao vai deixar de
existir quando se aumenta ele... Quando se cria um estilo proprio eh
como se criar "riff interno". Ouco o Eberienos tocar e vejo predilecao
por determinados rumos em seus improvisos, ouco o Levy tocando e percebo o
grande conhecimento que ele tem, mesmo assim o estilo criou certos "riffs"
em ideias musicais complexas. Madcat sempre lanca a mao determinadas frases
que em momento nenhum prejudica seus improvisos e pelo contrario, se torna
marca registrada... Improviso se aprende de duas formas completamente ligadas,
tocando e ouvindo muito, e estudando teoria musical...
Rodrigo Eisinger
Ps: Peco desculpas se caso falei muita besteira...
----- Original Message -----
From: digo@
To: gaita-l@grupos.com.br
Sent: Monday, January 21, 2002 11:24 AM
Subject: [gaita-l] Improviso
Salve a todos,
A Minha opinião é a seguinte: Durante os primeiros anos de
estudo, vc deve estudar muito, estudar de tudo, todas as frases, todos os
licks, aprender a timbrar de mandiras diferentes, etc . Com certeza vc vai
ficar sem estilo e tudo mais por algum tempo, porém serão os
anos em que vc vai estar conhecendo seu instrumento a fundo. O improviso significa
vc passar suas idéias pra gaita, na hora em q elas vierem à
cabeça.
Ok, mas como iremos passar se nem conhecemos a gaita direito? Para isso um
estudo de técnica é necessário. O vocabulário
é totalmente necessário pra total conhecimento do instrumento.
Existem pessoas q usam a falta de tecnica como desculpa pra seu estilo. Exemplo:
Qd vc está numa conversa e compara um tocador de gaita, q está
a sua frente com um gaitista de verdade, o tocador de gaita vai falar: "
Não , nós temos estilos diferentes, eu sou mais feeling"
.. isso a maioria das vezes é pura desculpa para a falta de estudo
!!!
Qualquer um pode se tornar um excelente gaitista, só estudar um pouquinho
todos os dias. E mais uma coisa, são os pequenos detalhes q transformam
um gaitista e um excelente gaitista.
É isso ae pessoal.
grande abraço a todos.
Rodrigo Eberienos
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