Publico novamente um texto que escrevi logo após a ExpoMusic 2002 e complemento com minhas observações da minha primeira vintage. O Kenji tem um texto do Gaspar que foi postado no Squish Dot do antigo site gaitabh, e ele pode ser visto na versão de jan de 2003 do site www.gaitabh.com. Parece-me que algumas coisas mudaram das primeiras gaitas protótipo para a que eu peguei, como por exemplo a aplicação do verniz (antes parcial, agora total).

Gaita 1923 (Vintage Harp)
Essa gaita comemorativa de 80 anos foi montada no estilo das Free Blues/Master Blues/Super 20 e Marine Band (o que euchamo de sanduíche). As placas de cobertura têm o acabamento tipo "ouro velho" e um belo design. Elas vêm em uma caixa de cor creme, como as caixas da Black Blues e similares, porém com um berço de plástico para comensar a largura menor. É uma pena que ao se projetar esse berço não se conseguiu evitar o efeito chocoalho típico dessas caixas. [correção: quando a gaita é vendida, vem um manualzinho de papel que evita esse efeito barulhento. FHB 04/02/2003]
Mas o grande diferencial dessa gaita é o seu corpo de madeira. A madeira usada é diferente daquela usada nas antigas Super 20, absorvendo menos umidade. O que torna esse corpo muito interessante é que ele já vem impermeabilizado de fábrica, com um acabamento muito agradável ao tato (liso e deslizante), inclusive na parte que entra em contato com os lábios. Ponto positivo para a Hering. Até onde sei, esse é o primeiro corpo com a impermeabilização como "item de série". Um ponto porém poderia ser mudado: os cantos dos "dentes" do corpo de madeira poderiam ser quebrados ou arredondados [correção: ao tocar minha própria vintage harp percebi que isso não é um problema. O acabamento do verniz já dá uma arredondada nos cantos].

Agora complemento com o que vi e experimentei.

O acabamento das placas de cobertura é estilo Ouro Velho, e as placas tem cortes laterais como a Marine Band. Fiquei sabendo que isso foi sugestão de algum gaitista, mas como eu não sei no que isso melhora (ou não) o som da gaita, gostaria de que, quem soubesse, me explicasse o motivo desses cortes.

Os parafusos e porcas das placas de cobertura são de latão, combinando com o acabamento.

As placas de vozes são especialmente mais espessas, o que dá à gaita um peso muito maior que o usual. Além disso, é consenso que placas mais espessas proporcionam um maior volume à gaita. Por outro lado, muitos acreditam que isso afeta a durabilidade das palhetas, mas isto só poderemos saber se é verdade ou não com o passar do tempo.

A afinação é feita por acorde. Ou seja, o 2S (acho que é esse) é afinado de acordo com um tom de referência padrão e o primeiro acorde (CEG) é afinado por harmonia (de ouvido). Depois os outros acordes são afinados em relação ao primeiro (por terças, quintas e oitavas).

As palhetas, na minha gaita, vieram muito bem ajustadas. Tomara que esse capricho seja mantido.

O corpo eu já disse ser de madeira e envernizado completamente. Ou seja, nenhuma parte da madeira fica exposta à umidade, ao contrário da Marine Band, onde apenas a face frontal dos dentes recebe acabamento. O próprio verniz ajuda na vedação da gaita, melhorando o assentamento das placas sobre o corpo. A madeira, se não me engano, é o marfim. [Correção em 16/07/2005: apenas as partes visíveis da madeira são envernizadas. As áreas grandes em contato com as chapas de vozes não recebem tratamento.]

Por causa do processo de corte do corpo, não é possível colocar um parafuso M2 no dente central, como acontece com as Free Blues e similares. Por isso as placas são presas com 5 parafusos de latão, no esquema Joe Filisko, como disse o Gaspar Vianna.

Se essas gaitas continuarem assim boas, eu provavelmente comprarei apenas desse tipo. O preço me disseram ser 40 reais na Mônaco em São Paulo [fev de 2003].

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